O anúncio do balanço da violência na região de abrangência do CRPO-Planalto da Brigada Militar, feito na última semana, indica que Passo Fundo continua entre as cidades mais violentas do Estado. Passo Fundo está em 10° lugar no ranking das cidades gaúchas com mais de 100 mil habitantes em número de homicídios, registrando uma média de 24,89 homicídios para cada 100 mil habitantes.

Segundo o informe, nos últimos três anos se mantêm a média de homicídios em Passo Fundo, sendo que foram 47 em 2010, 25 em 2011 e 45 em 2012 – e 2013 promete: em menos de um mês já foram quatro. No ano de 2012, a Brigada informa que os meses de janeiro e setembro foram os que tiveram a mais alta incidência de homicídios, sendo registrados sete assassinatos em cada um deles. Neste mesmo ano, as vítimas de homicídios eram, em sua maioria, homens com idade entre 18 e 27 anos, jovens, portanto. A imensa maioria, 82%, tinha problemas com drogas, sendo que nos demais casos a maioria foi motivada por rixas.

Para ter uma ideia da gravidade da situação de Passo Fundo, a Agência das Nações Unidas para Drogas e Crimes (UNODC) publicou um estudo que mostra que em 2012 a média da taxa de homicídios por 100 mil habitantes no mundo era de 6,9, sendo que na África era de 17, na América de 15,4 e na Europa de 3,5. O mesmo estudo informa que a taxa brasileira era de 21 homicídios por 100 mil (o terceiro na América do Sul, tendo saído de uma taxa de 28,4 homicídios por 100 mil em 2002, há 10 anos). Ou seja, Passo Fundo está acima da média brasileira, incomparavelmente acima da média continental e em torno de quatro vezes mais do que a média mundial.

Estes números por si só não demonstram toda a violência, mas são indicativos claros da gravidade da situação. Trata-se de seres humanos que perderam a vida. A estatística neste caso equivale a pessoas. Isso não deveria nos conformar. Deveria nos assustar e exigir que novas medidas sejam tomadas de forma concertada pelas autoridades públicas com participação da sociedade. Não é nada confortável o fato de não ter havido aumento de homicídios. Sob o ponto de vista dos direitos humanos, uma vida a menos é muito grave, gravíssimo.

Iniciemos 2013 indignados com a gravidade dos dados que nos informam que as vítimas da violência continuam em alto número e dispostos a agir para que neste ano os números baixem, não por razões estatísticas, mas porque isso significa mais vidas preservadas e entre nós.

Paulo César Carbonari
Doutor em Filosofia (Unisinos), professor de filosofia (IFIBE), militante de direitos humanos (CDHPF/MNDH) e presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos do Rio Grande do Sul.