Mulheres da paz debatem continuidade do projeto

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No dia 06 de março,  na Semana da Mulher, as Mulheres da Paz reuniram-se no Salão do Júri do Fórum de Passo Fundo para discutir a continuidade do Projeto Mulheres da Paz quando findar o contrato entre a Prefeitura Municipal de Passo Fundo e a Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo. As Mulheres destacaram a importância de seu trabalho social, especialmente no que se refere ao combate à violência contra as mulheres, nos 20 bairros atendidos pelo Projeto. Afirmam ainda que hoje se tornaram referência nas comunidades para demandas de cidadania e direitos humanos. Durante o encontro aprovaram que se manterão mobilizadas pela continuidade do Projeto, querem que continue nos moldes atuais. Afirmaram que têm certeza que contarão com apoio da comunidade e do poder público para que isso aconteça. Ao final do encontro, aprovaram uma “Carta aberta à Comunidade pela continuidade do Projeto Mulheres da Paz”, enviada ainda na mesma tarde por ofício ao Prefeito Municipal, justificando as razões da continuidade.

Na Carta dizem que

O Projeto Mulheres da Paz precisa continuar: 1. PORQUE através dele aprendemos que “somos defensoras de direitos humanos” e que o melhor caminho para enfrentar a violência é organizar as comunidades para que exijam os direitos humanos; 2. PORQUE as ações que desenvolvemos em nossas comunidades nos aproximaram de cada morador e de cada moradora e nos despertaram para o compromisso com a vida comunitária e a construção da paz através da mediação dos conflitos; 3. PORQUE o acompanhamento da Equipe Multidisciplinar e dos facilitadores que nos capacitaram, sob a coordenação da Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo, foram essenciais para que pudéssemos aprender os melhores caminhos para que nossa atuação atendesse aos objetivos do Projeto; 4. PORQUE as condições disponibilizadas pelo governo federal através do Ministério da Justiça e a coordenação da Prefeitura Municipal nos puseram no mapa dos municípios que trabalham a segurança pública com cidadania, pela implementação do Pronasci; 5. PORQUE o projeto nos fez entender que somos sujeitos que têm direitos, nos fez agentes defensoras dos nossos próprios direitos e mediadoras para a construção de lutas pela garantia dos direitos de todas as pessoas; 6. PORQUE o projeto nos empoderou e nos encorajou a seguir firmes na luta contra todas as formas de violência, de modo particular a covarde violência contra as mulheres, entre outros motivos, para honrar o nome de nossa colega Sílvia Aparecida de Miranda que deu sua vida para proteger sua filha que sofria violência doméstica, tornando-se mais uma nessa triste estatística que coloca nossa cidade na 12ª posição estadual e na 219ª posição nacional no número de homicídios de mulheres, o que por si só justifica e prova a necessidade de políticas públicas e sociais de prevenção e combate à violência contra a mulher; 7. PORQUE a população dos 20 bairros e vilas nos quais atuamos há mais de um ano, depois de aproximadamente 5 mil encaminhamentos por nós realizados, sabe que a vida ficou bem melhor e, com certeza, poderá ficar melhor ainda se pudermos continuar a multiplicar informação, ação, mobilização, cidadania.

As Mulheres da Paz esperam contar com o apoio de lideranças sociais e comunitárias, sindicatos, imprensa, lideranças políticas. Nos próximos dias divulgarão a carta enquanto aguardam posicionamento do Poder Público Municipal.

CDHPF
Entidade da sociedade civil que articula indivíduos para apoiar organizações sociais que lutam pela garantia e promoção dos direitos humanos.

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