A vida deixada para trás

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Refugiados rohingya, originalmente de Mianmar, tentam reconstruir a vida em BangladeshSaiful Huq Omi/UNHCR

Conflitos globais, perseguição e violações de direitos humanos obrigaram uma em cada 113 pessoas a deixar sua casa. Segundo relatório divulgado ontem (19/6) pelo ACNUR (Alto Comissariado da ONU para os Refugiados), o mundo possui 65,6 milhões de refugiados, solicitantes de refúgio e pessoas que se deslocaram forçadamente dentro de seus países – uma população equivalente à do Reino Unido.

Esse é o maior número já registrado na história e se deve, em grande medida, ao agravamento do conflito e da crise humanitária na Síria.

O levantamento do ACNUR, lançado às vésperas do Dia Mundial dos Refugiados, evidencia uma face especialmente cruel dos deslocamentos forçados: o alto número de crianças afetadas pela violência, que representam 51% dos refugiados no mundo. Mais de 75 mil solicitações de refúgio foram feitas por crianças desacompanhadas.

O balanço também revela o destino prioritário dessas pessoas: 84% dos refugiados, que somam 22,5 milhões, estão em países de renda média ou baixa e um em cada três foi acolhido pelas nações menos desenvolvidas.

A participação do Brasil nesse cenário foi baixa. O país possui hoje apenas 9.689 mil refugiados reconhecidos, o que representa 0,043% do total. Ainda segundo o relatório da ONU, o país aceitou 982 pedidos de refúgio entre 2015 e 2016, enquanto as solicitações passaram de 20.815 para 35.464 – um aumento de 70%.

E a tendência é que a demanda aumente. Dados divulgados à imprensa pelo Conare (Comitê Nacional para os Refugiados) mostram que, entre 1o de janeiro e 31 de maio de 2017, o país recebeu 10.507 pedidos de refúgio, dos quais cerca de 80% foram feitos por venezuelanos.

“O Brasil pode e deve fazer mais no esforço global para receber as pessoas que se deslocam forçadamente. O país tem de seguir mostrando, por exemplo, um compromisso firme com a adequada acolhida de venezuelanos em Roraima, com a rápida concessão de residência temporária, a isenção de taxas para aqueles que não tenham condições financeiras de pagá-las e a análise célere e adequada dos pedidos de refúgio ”, afirma Camila Asano, coordenadora de Política Externa da Conectas.

Para Larissa Leite, coordenadora do programa de proteção do Centro de Referência para os Refugiados da Caritas Arquidiocesana de São Paulo, o novo fluxo de venezuelanos para o Brasil evidencia como as tendências de deslocamento no mundo podem variar rapidamente, inclusive com modificações importantes no perfil dessa população.

“Um outro exemplo é o aumento bastante expressivo no número de mulheres refugiadas em São Paulo, que representavam cerca de 10% há alguns anos e somaram 36% em 2016”, explica. Para ela, “cabe ao Brasil não só construir sistemas de proteção adequados, mas manter a estabilidade das estruturas e políticas e responder à diversidade da população refugiada no país”.

 

Fonte: Conctas

 

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