Nota política da Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo
O Brasil atravessa mais um momento decisivo de sua história democrática. Nas eleições de 2026, milhões de brasileiras e brasileiros irão às urnas escolher quem ocupará a Presidência da República, os governos estaduais, o Senado, a Câmara dos Deputados e as Assembleias Legislativas.
Não se trata apenas de escolher nomes. Estão em disputa projetos de sociedade, diferentes concepções de democracia e distintas formas de compreender a relação entre Estado, direitos, economia e vida.
A política pode ser instrumento para ampliar direitos, enfrentar desigualdades e construir condições para uma vida digna. Também pode servir à manutenção de privilégios, à retirada de direitos e à concentração de poder e riqueza.
Por isso, as eleições de 2026 exigem reflexão, responsabilidade e participação.
Para a Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo, não basta que uma candidatura declare respeitar os direitos humanos. É preciso compromisso concreto com sua efetivação integral. Isso significa observar trajetórias, propostas, posicionamentos públicos e alianças de quem pretende nos representar.
Precisamos ampliar a representação política comprometida com a democracia, a justiça social e com a garantia de direitos para todas as pessoas. Isso significa eleger representantes comprometidas e comprometidos com os direitos da classe trabalhadora, com trabalho digno, proteção social e redução de jornadas exaustivas, incluindo o debate sobre o fim da escala 6×1.
Significa compromisso com os direitos das mulheres, com o enfrentamento à violência e às desigualdades; com o combate ao racismo estrutural e a garantia de direitos à população negra; e com a defesa da dignidade e dos direitos da população LGBTQIA+, enfrentando a discriminação, a violência e qualquer tentativa de retrocesso.
Significa, ainda, defender os direitos das crianças e adolescentes, das pessoas idosas, das pessoas com deficiência, dos povos indígenas, das comunidades tradicionais e de todas as populações historicamente submetidas à exclusão e à desigualdade.
Defender direitos humanos também é assumir compromisso inegociável com a democracia, o Estado Democrático de Direito, as liberdades políticas, a participação popular e o respeito à diversidade. Defender direitos humanos é defender a soberania nacional, o patrimônio brasileiro e nossos bens comuns, colocando as riquezas e os recursos do país a serviço do povo e do desenvolvimento social, e não de interesses econômicos particulares ou estrangeiros.
As escolhas feitas nas urnas têm consequências concretas. São deputadas e deputados que votam leis capazes de ampliar ou retirar direitos. São senadoras e senadores que decidem questões fundamentais para o futuro do país. São governos estaduais e a Presidência da República que conduzem políticas públicas que chegam diretamente à vida da população.
Por isso, a Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo considera urgente eleger representantes comprometidas e comprometidos com a efetivação integral dos direitos humanos em todas as esferas de poder. Precisamos de representantes que enfrentem as desigualdades, ampliem direitos, protejam a democracia, defendam o patrimônio público e a soberania nacional e coloquem a dignidade humana no centro de suas decisões.
Nas eleições de 2026, os direitos humanos também estarão nas urnas. Que nossas escolhas sejam conscientes e consequentes, considerando não apenas discursos de campanha, mas trajetórias, propostas e compromissos concretos.
Eleger representantes comprometidas e comprometidos com os direitos humanos é uma tarefa urgente para quem acredita na democracia, na justiça social, na igualdade e na dignidade humana.
Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo
